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sexta-feira, 21 de agosto de 2009

O Dia Nacional da Habitação e As Ciclovias

Como poderia haver dignidade em termos de vizinhança e de cidade sem um sistema urbano de transportes de dignifique o cidadão? As ciclovias são uma resposta global.

Hoje é o dia nacional da habitação e teve um café da manhã aqui na AGEHAB-GO com a presença de vários movimentos sociais pela moradia, de políticos e de demais atores do cenário habitacional.

Tive a oportunidade de conhecer e conversar com o vereador Maurício Beraldo, pessoa animada e motivada. Ele é o autor da lei das ciclovias e um dos mais importantes colaboradores do Plano Diretor de Goiânia. Atualmente, ele é o presidente da comissão de habitação, urbanismo e ordenamento urbano na Câmara Municipal.

Conversei com ele sobre a urgência da implementação da lei das ciclovias, que até hoje encontra-se na prateleira da prefeitura, e sobre a questão das calçadas completamente descuidadas e disformes e que, pelo espaço que ocupam nas principais avenidas de nossa capital, servirão de apoio para a implantação de ciclovias (segregadas), ciclofaixas e faixas compartilhadas, derrubando a tese ou desculpa pálida defendida por alguns de que seria impossível implantar ciclovias em avenidas pré-existentes.

Sobre quem tem interesse positivo ou negativo nesse projeto, tenho uma conclusão capitalista em mente: se alguns, por conta de seus negócios já estruturados nos ramos automobilístico ou de transportes, não têm interesse de que as capitais do Brasil se aproximem do modelo mais próximo de ecologicamente correto o possível e já há muitos anos implantado na Europa, pode ser do interesse de outros que estão nos ramos de estacionamentos, fiscalização e ciclismo que a implantação do sistema cicloviário ocorra o mais breve possível. Os empresários sem medo de mudanças ou os dispostos a investir em novas tendências poderão se beneficiar muito do que desponta no horizonte de nossas ruas e avenidas, umas congestionadas, outras velozes, muitas mortais, tantas imorais e fumacentas.

As bicicletas e seu universo estão chegando para consolidarem-se como o mais comum meio de transporte, comendo por fora, igual a mineirinho, mas quem já aderiu à causa não pretende largá-la. Quem já provou, sabe o que é bom e o que funciona. Vai a Paris, vai a Amsterdã, vai a Bruxelas! Experimenta!

Abrindo um comentário pertinente aqui, bicicleta não é só transporte de pobre. Detesto a segregação social velada, a hipocrisia pseudo-burguesa que existe aqui em Goiás, mas falando a verdade, os consumidores arrogantes e desinformados acham que bicicleta é meio de transporte somente (com todo o meu respeito e desejo de prosperidade a todos) para pedreiros, serventes da construção civil e entregadores de supermercado. A bicicleta é para todos. A bicicleta é o que há de bom em termos de transporte urbano. Bom será quando eu, sem medo de ser atropelado, puder deixar o meu carro em casa e não pegar aquele ônibus desumano (depois posto aqui meus comentários sobre a linha 016 da RMTC que escraviza os motoristas e saculeja e comprime os usuários desacostumados com dignidade).

Para os empresários e investidores em geral, uma dica de oportunidade: Projeto de lei federal prevê isenção de tributos para bicicletas (http://www2.camara.gov.br/internet/homeagencia/materias.html?pk=138676).

Em nome de Jesus Cristo, que o Altíssimo abençoe a todos.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Molusco e Molusquetes na Cidade Toco

Ontem eu voltei para casa de ônibus.

Normalmente essa mesma linha nesse horário é vazia e o motorista cumpre o seu ritual diário de rali de regularidade, com a fiscalização de olho no GPS para saber a posição do veículo dentro da rota e do horário em cada checkpoint.

Ontem estava quase tudo fora do normal para aquela linha, naquele horário. Pessoas comprimidas, motorista com a cabeça nas nuvens, fiscalização comicamente sem o poder de pressionar esse que é o maior herói da empresa. A única coisa dentro do normal era o passageiro dentro dos seus limites de indignidade conferidos pelo sistema egoísta implantado pelos senhores do feudo do transporte coletivo urbano goianiense.

O trânsito estava bem mais travado que o normal para aquele horário das 18 horas e 30 minutos. Parecia até São Paulo. Foi interessante que deu para ver como as coisas vão ficar daqui alguns meses se a progressão de vendas de veículos continuar sem acontecer uma respectiva implantação de ciclovias na cidade. O bom disso é que o ônibus não podia ir rápido, o motorista não podia dirigir como um louco para cumprir a tabela do rali da RMTC e os fiscais não podiam cobrar nada deles. Resultado: ontem eu não andei no que costumo chamar de carroça voadora que é, hipoteticamente, uma turbina com uma carroça amarrada em cima. Quando a carroça voadora funciona, o passageiro que se segure!

As pessoas todas achando engraçado o que acontecia às suas dignidades, demonstrando a forma amistosa e clara de como o brasileiro aprendeu levar na brincadeira as humilhações do dia-a-dia. Quase todos sorrindo e fazendo ironias a respeito da visita do presidente da República à nossa cidade num evento que travou todo o centro da cidade e que aconteceu na Praça Cívica. Naquele momento, uns diziam "Ainda bem que não votei nele!", outro dizia "Ih! Eu votei! Hahahaha!!!", ainda outro interrogava "Quem aqui gosta do Lula!?".

Na verdade, todos ali sabiam que o presidente, pessoalmente, nada tinha a ver com o caos que dominou o trânsito e os ônibus naquele dia, mas sim a necessidade da prefeitura e dos governos estadual e federal de fazer um evento que "marcasse" a presença dele na cidade. Muitos deram a idéia de que a próxima visita seja realizada em um local mais apropriado como o Estádio Serra Dourada ou o Autódromo Ayrton Senna que ficam na saída sul e longe do centro e da rotina da maioria da população que tem que manter o aparelho produtivo goianiense funcionando.

Bendita tradição do "marketing do barulho" da política brasileira: me fez chegar em casa um pouco mais tarde, preocupado com a H1N1, todo amarrotado, conferindo a minha carteira no bolso, conhecendo mais com um bocado de gente, e ainda por cima, com tranqüilidade, pois o ônibus foi devagar desta vez.

É... A dignidade custa mais do que tantas ações do governo e muito, muito mais do que os R$ 2,25 do vale-transporte que sou obrigado a comprar em escassos pontos de venda que não obtém disso lucro significativo porque tiraram o emprego dos cobradores.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Nova Casa

Seja bem-vindo(a) à nova casa do Cidade-Toco!

Mudamos aqui para o Blogger or causa da possibilidade de termos mais recursos para colocar.

Por falar em casa nova, me lembrei da minha cidade...

Seguem algumas perguntas que você, internauta, poderia me ajudar a responder. Tenho esperança de logo em breve colocar umas enquetes aqui para colher a opinião de vocês de uma forma melhor.

A primeira das perguntas:

1) O que deveria ser feito para melhorar o trânsito sem atrapalhar o transporte coletivo, a vida do ciclista, a vida do pedestre e sem derrubar árvores? (considerar possível a derrubada com o devido replantio).